Um mutirão de tecnologia para levantar o Rio

Cidade recebe o Hacking Rio, maior hackaton já realizado na America Latina

Por: Cora Rónai

Você já deve ter lido ou ouvido a palavra “hackathon” algumas vezes. Talvez saiba o que é, mas se não trabalha com tecnologia e não tem jovens em casa envolvidos com isso, o mais provável é que tenha passado batido por ela. Sabe o universo em que se encontra; acerta no atacado, mas tem dificuldade para explicar no varejo. Então vamos lá: hackathon é um neologismo derivado das palavras “hack” e “marathon” — mas “hack” não no sentido a que nos habituamos, geralmente desviado para o mal, e sim num sentido mais amplo, que envolve escrever software de uma forma experimental, basicamente buscando um jeitinho para resolver determinado problema.

Hackathons são encontros que, durante dois ou três dias muito intensos, juntam todo o povo que trabalha com tecnologia, de designers a programadores, com o propósito de desenvolver certo tipo de software. Há hackathons temáticos, hackathons de inovação, hackathons didáticos, hackathons feitos apenas com o intuito de reunir a galera. Eles envolvem palestras sobre os objetivos a serem alcançados, troca de ideias e muito trabalho colaborativo. São, como se pode imaginar, ambientes de ótimas vibrações e grande energia.

Foi pensando nisso que Lindália Junqueira, uma das fundadoras do movimento Juntospelo.Rio, eternamente envolvida com startups e com inovação, decidiu organizar um imenso hackathon para encontrar soluções para o Rio de Janeiro.

— Todo mundo está indo embora, está jogando a toalha — diz ela. — A gente tem que resistir! Afinal, é a nossa cidade.

De modo que ela começou a falar com um aqui, outro ali, um terceiro acolá — e, no fim, tinha 800 pessoas envolvidas com a ideia, espaço e patrocinadores. O resultado: entre os próximos dias 27 e 29, a cidade recebe o Hacking Rio, maior hackaton já realizado na America Latina, com mais de 1,2 mil pessoas, divididas numa dúzia de diferentes modalidades, de educação a saúde, passando por moda, turismo, sustentabilidade, games, energia, segurança.

Há prêmios para os times que apresentarem as melhores propostas, e uma série de palestras com especialistas brasileiros e estrangeiros. E há, correndo em paralelo, um Forum Rio de Internacionalização, com visitas guiadas a parques tecnológicos, aceleradoras e startups locais.

Encontrei Lindália a alguns dias da reta final. Estava exausta, mas muito feliz com os resultados alcançados até o momento:

– O que acontece é que a percepção da realidade do Rio de Janeiro está bem pior do que a realidade do Rio de Janeiro. Nós somos um pólo de tecnologia, temos uma quantidade enorme de startups, temos cada vez mais coworkings em funcionamento, mas isso não sai na mídia, não é noticiado, não ganha espaço no meio de tanta desgraça acontecendo. Precisamos reverter isso. E precisamos juntar todo mundo, governo, academia, desenvolvedores, empreendedores e investidores para mudar o cenário econômico da cidade.

É essa ideia de união e colaboração que orienta também o Juntospelo.Rio, movimento voluntário que reúne empreendedores e líderes empresariais que não querem deixar a peteca cair.

Hoje é o último dia de inscrição para quem quiser participar. O Hacking Rio acontece no Aqwa Corporate, aquele edifício no Porto Maravilha onde foi realizado o último Casa Cor, e as inscrições devem ser feitas pelo site www.hackingrio.com. A organização oferece refeições e chuveiros, mas cada um deve levar o seu próprio saco de dormir.

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