Mais dois shows do Rust In Beer sacudiram São Paulo no fim de semana. Sexta, na Led, e sábado, no Ocean. Ambos foram muito bons, mas as histórias para contar eu tirei mesmo da Ocean.
Na Led, nós abrimos pro Fever, Aerosmith Cover. Não tinha mais de 200 pessoas na casa, sexta-feira não é o melhor dia na Led, e o que posso dizer é que fizemos um show correto, experimentamos músicas novas, o público totalmente voltado ao Hard Rock gostou e respeitou, três ou quatro malucos (mesmo) agitaram e cantaram junto… enfim, foi legal.
A parte mais marcante para mim nem foi no show. Quando entrei na casa, a pickup tocava Metallica e uns 20 cabeludos(as) estavam batendo cabeça lentamente, num ritmo idêntico, com os corpos parados. Pareciam zumbis do metal e eu fiquei com a sensação que em algum momento todos seriam engolidos pela terra, ou começariam a dançar Thriller.
O som, para variar, estava ótimo e com retorno pleno para todos os instrumentos. O show durou uma hora e fizemos nosso papel. Agradecimento especial ao Bernardo que me emprestou a pedaleira. O efeito em Trust ficou animal.
Wake Up Dead
Hangar 18
She Wolf
Skin O My Teeth
Reckoning Day
99 Ways To Die
Take No Prisoners
A Tout le Monde
Tornado of Souls
Trust
Sweating Bullets
Symphony of Destruction
Peace Sells
Holy Wars
Anarchy in LedSlay
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Na Ocean o buraco foi mais embaixo. Para começar, a casa fica na rua dos puteiros. Aqui no Arraial isso é comum, tem rua de instrumentos musicais, de lâmpadas e abajures, de roupas de grife e de casas de burlesco. A entrada da Nestor Pestana, o logradouro onde fica a Ocean, já entrega. Logo na esquina fica o Kilt, um castelo medieval onde funciona o puteiro mais pitoresco da cidade. Eu achava que o Kassab havia acabado com tudo, mas ele não conseguiu derrubar as muralhas da Augusta.
No pequeno espaço entre a esquina e a Ocean, coisa de 200 metros, mais duas casas, consideravelmente mais humildes, também marcavam presença. E a própria Ocean já entregava que sua premissa inicial não era de uma casa de shows de rock, mas outro tipo de show pesado.
Dois andares. O primeiro era uma boite. Palco com dois postes de pole dancing, um bar à esquerda, sofás no canto e uma pista. Bem cheio e com gente de tudo o que é tipo. Pessoas que não sabíamos se eram homens ou mulheres. Era difícil ver alguém que não estivesse bêbado, chapado ou ambos. Apesar da placa de proibição para menores de 18 anos, nós cansamos de contar quantas pessoas de 15, 16 estavam ali. Principalmente meninas.
A pegação rolava solta e sem limites. Em determinado momento, fui ao banheiro para dar uma aliviada - o pior e mais imundo banheiro que vi na vida - e ao sair, entrou no meu lugar um casal completamente chapado para dividir o box. Nem se preocupavam em serem discretos. Era ali mesmo e vamo que vamo. Confesso que a minha mira não foi das melhores naquele box imundo, mas isso não afetou o pessoal.
Chegamos na casa e tocava um banda cover do Kiss. Ou tentava tocar. Assassinaram Rock and Roll All Night, algo como um cover dos Stones tocar Satisfaction meio tom abaixo, com voz gutural e velocidade punk. A vocalista pelo menos era mais macho que o Paul Stanley e ficava o tempo todo de roçando com a backing vocal para ganhar pontos com o público.
Depois veio o Burning Roses, aqueeeeeele Guns cover do show da Tribe. De novo, lá estavam Axl, Slash, Izzye e com um novo Duff. Diga-se, um cara idêntico ao Duff, até na cara de mau-humor. A galera agitou demais e os caras ganharam a noite. Mas não íamos tocar com eles, nosso show era outro, no andar inferior.
Uma sucursal do inferno, assim podemos chamar o subterrâneo da Ocean. Não estava muito cheio, mas o calor intenso, a completa falta de saída de ar e uma minúscula escada para entrar e sair descrevem aquele poço. O palco era uma elevação no final da pista onde a banda se espremia para tocar. O público era composto por insanos, bêbados, chapados e revoltados que só queriam agitar, cantar e se bater. Ou seja, ótimo!
Antes da gente tocou uma banda cover do Motorhead. Não curto Motorhead, mas a galera lá agitou bastante e ficou no ponto para nossa entrada. Vale mencionar que não havia retorno algum, tocamos à vera com os amplis, o chão parecia um colchão d’agua que balançava o tempo todo e eu só descobri que colocaram copos de água à disposição depois do show.
Fizemos um set só de porradas. A única música mais nova foi Sleepwalker, incluída no set vinte minutos antes do show para dar uma ligação melhor com a introdução. Como em todo show thrash que se preze, subiram no palco, cantaram com a gente, nos atrapalharam - mas com a melhor das intenções - deu merda na pedaleira que acabou com Devils Island, aceleramos duas músicas a ponto de fazer o Slayer ficar orgulhoso e saímos ensopados de suor.
O melhor (ou mais engraçado) mesmo foi o quinto elemento. Um maluco enorme resolveu subir e cantar Wake Up Dead. Gostou e subiu para cantar Take no Prisoners. Quando deu a merda em Devils Island, lá foi ele pro palco cantar de novo enquanto eu ajeitava os cabos. Anunciei Hook In Mouth e o cara lá debaixo gritou “essa eu vou cantar também” e não deu outra, subiu e cantou. E assim foi. Nos nossos vídeos (em breve disponibilizados) vocês verão o cara em quase todas as músicas. Muito thrash isso!
A nota péssima fica por conta de um imbecil que queria porque queria aparecer na filmagem da Carol e quando se viu ignorado, abaixou as calças e balançou a jeba para ela. Quem conhece a Carol sabe como ela aprecia esse tipo de gente.
Muito foda. Saí bolado por causa da pedaleira, mas depois eu fiquei vendo os vídeos e não paro de rir até agora. Sensacional o show. O melhor e mais porrada que fizemos. Pena que no final não deu para tocarmos Anarchy, que colocaria a casa abaixo.
Into the Lungs of Hell
Sleepwalker
Wake Up Dead
Take no Prisoners
Devils Island
Hook in Mouth
Mechanix
The Conjuring
Holy Wars