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Entrega!! Entrega!!

Posted by lucas dantas on Nov 17, 2008 in Futebol

 Like, 1992, don’t you think? Um Vasco x São Paulo teve uma grande participação no penta. E o hexa pode vir de um Vasco x São Paulo. Naquela ocasião, nosso time NÃO era o favorito, dependia dos demais e ninguém acreditava mais do que os eternos otimistas do Cósmico-Fuderosão. Hoje, depois de tantos vexames ocorridos nos últimos anos, todos se resguardam pedindo que os jogadores larguem as chuteiras e andem no sapatinho. Mas a coincidência é incrível.

Em 08 de julho de 1992, o Vasco trucidou o futuro campeão do mundo São Paulo, com inapeláveis 3×0, na lotada pocilga portuguesa, debaixo de gritos de “entrega!” “entrega!” vindos de uma torcida desesperada com a possibilidade do quinto título nacional do Flamengo, diante da pobre e miserável dupla de Brasileiros que o time detinha até então.

Sem contar, que o rival era considerado o azarão, prestes a seguir para mais uma apoteose no Maracanã, enquanto aos vascaínos restaria apenas reservar mesas na Adega do Valentim, provavelmente um dos poucos restaurantes do Rio que passaria um velho show de fado ao invés do jogo.

Naquele dia estava em campo Edmundo. No próximo domingo também. Edmundo fez o terceiro gol enquanto vascaínos desesperados choravam a classificação do Flamengo para a final. O mesmo Edmundo que lhes balançou a benga quando vestia a camisa do Flamengo e hoje pode cair para a segunda divisão futebolística. Pelo menos isso, já que conseguiu escapar da segunda divisão social e até hoje não precisou se agachar para pegar sabonete no chão da prisão. O mesmo Edmundo que mandou na Força Jovem aquele que seria o seu maior título.

Uma vitória do Vasco não nos colocará na liderança, ainda há o Grêmio, mas caso o Mengão vença o Cruzeiro, o pânico tomará conta de São Januário. A diferença cairá a 3 pontos, com igual número de vitórias e saldo de gols automaticamente reduzido. O SPFC enfrentará o Fluminense, enquanto o Flamengo receberá o fiel freguês Goiás. Grêmio? Celso Roth fará sua parte. Está escrito.

Quanto ao Flamengo, bom, ao término de 2007, Marcio Braga e muitos torcedores disseram que com mais 3 jogos até o fim, o Flamengo pegaria o São Paulo. Parecia uma desculpa furada para algo que jamais ocorreria. Eis que, um ano depois, a oportunidade apareceu. Os três jogos estão aí. Agora eu quero ver, “seu” Flamengo.

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Eight Legged Freaks

Posted by lucas dantas on Nov 17, 2008 in Coisas que irritam

 

Não bastassem as moscas que continuam no meu banheiro mesmo após todas as tentativas de extingui-las (quase todas, falta tacar fogo na casa), agora eu ganhei novas vizinhas. Ontem eu vi duas dessas porcarias aí de cima no box. Uma lá no teto, lá em cima, e outra próxima ao sabonete. Como eu sou uma pessoa que mantém certo respeito (e distância) de aranhas, coloquei minha roupa de amianto contra vulcões, peguei um lança-chamas, três bananas de dinamite, os cães, o Caveirão e uma sandália Havaianas. Cinco porradas depois a maldita estava bem morta. 

Fico com pena, claro, pois é um bicho e não gosto da idéia de matar nenhum, mas antes ela do que eu. Mas aranhas e eu ainda precisamos discutir a relação, é complicado….

Não me surpreendo em encontrá-las no banheiro, afinal, aquilo se tornou um All You Can Eat pra elas. Normalmente, eu até colcoaria uma câmera de vídeo para vê-las capturando mosca atrás de mosca e acabando com meu problema, mas ali se tornou uma questão de espaço. A desgraçada desceu ao meu nível e ficou a poucos metros das coisas que eu uso. Eu poderia ter simplesmente afastado, mas ao ver duas bolinhas marrons com oito patas logo vêem à cabeça matérias, imagens e textos sobre as aranhas-marrom, a pior espécie que existe. E elas vivem exatamente nos banheiros das casas, principalmente aqui em São Paulo. Sei lá se são da mesma espécie, mas para não precisar descobrir da pior forma, Havaianas nelas. 

Até hoje eu me pergunto porque não chego muito perto de aranhas. Lembro-me da minha infância em Sta Teresa quando eu e alguns moleques inconsequentes corríamos atrás de espécimes para colocar dentro de um vidro de maionese. Era algo como umas 20 de uma vez, daquelas silvestres bem comuns nas matas do Rio de Janeiro, bem parecida com a foto abaixo. 

Como nós nos preocupávamos com a fome das criaturas, de vez em quando enfiávamos uma barata ali dentro. Era algo que sumia em questão de segundos. Fizemos essa brincadeira umas duas ou três vezes, até que um dia, um de nós deixou o vidro cair no chão no meio da praça, bem na hora que as mães desciam com seus bebês para conversar e tomar um sol. Imagine a cena de umas 10 aranhas descontroladas correndo para o mato enquanto pessoas fugiam e berravam, segurando bebês no colo, se trancando dentro dos carros ou subindo em árvores.  

Uma dessas aí já subiu em minha perna quando eu era bem criança, e outra, de espécie diferente, apareceu no meu lençol enquanto eu dormia. Sem contar o dia em que enfiei o pé num ninho fazendo com que umas 300 mil irmãs saíssem em disparada ao mesmo tempo. Em todas as vezes, eu era moleque e isso contribuiu para que hoje não me aproxime muito. Mas isso até que elas resolvam descer e invadir o meu espaço. 

Vou fazer um teste. Vou deixar aquela que ficou no teto viver. Se a população de moscas começar a diminuir, ela permanecerá como está. Mas se resolver chamar reforços ou ficar amiguinha das fpds $&*#@, vai tomar suco de Baygon.

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AdoCão

Posted by lucas dantas on Nov 12, 2008 in Cachorros, Coisas sérias


Meu dono,

Dentro de mim tem coisas que, por vezes, não se encontram em algumas pessoas. Quando você me pegou, pequenininho, e me tirou da minha mãe eu fiquei assustado e não entendi. Mas, de repente, comecei à sentir por você um amor tão forte e tão inexplicável!

Fui crescendo e cada vez mais desejando sua companhia. Esperava ansioso por você, nas vezes em que saia e explodia de felicidade com a sua chegada. Nunca precisei de mais nada além de sua presença; tamanho o amor que sinto por você!

De repente, algo aconteceu quando cresci! Você me pôs no carro (achei que fosse um dos nossos passeios tão maravilhosos que guardo na lembrança) e me levou para muito, muito longe de nossa casa. Abriu a porta do carro em um lugar deserto e estranho e me enxotou jogando pedras!!!

Fiquei sem entender! O que foi que eu fiz? Pensei… Pensei… e não descobri o quê te fiz. Foi então que aconteceu o mais assustador. Você ligou o carro e partiu acelerado! Corri muito pela estrada atrás de você! Até cair de exaustão. Meus pés e mãos muito feridos. Meu corpo cansado demais para continuar. Minha fome e sede começaram à ficar desesperadoras. MAS NADA IMPORTA! Tenho que te encontrar novamente!

Porque te amo demais e nunca te esqueço! Tenho dentro de mim uma coisa que poucos homens tem. Tenho dentro de mim um amor de verdade. Porque ainda amo você! E não vou descansar enquanto não te encontrar. Quem sabe te encontro quando morrer???

SEU CÃO ABANDONADO

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Um dos principais motivos d’eu não acreditar na humanidade é o fato de existirem pessoas que abandonam animais à própria sorte. O que vejo e fico sabendo de gente que larga um cachorro ou um gato só porque vai para um apartamento, ou precisa viajar, é algo que me causa uma repulsa a ponto de não olhar mais para esse indivíduo. Mais ignorante é quem compara animais e filhos. Não se compara uma coisa dessas. Filhos são filhos e animais são animais, porém cada um emana sua dose de responsabilidade.

Na minha família há quem ache que não temos filhos por causa dos cães. Um absurdo. É lógico que o espaço de Suflair e Trufa será sempre levado em consideração, mas quando eu adquiri os dois, já pensei na questão dos filhos humanos e assumo a responsabilidade até o fim. Ficarei com meus cães até o fim da vida deles. E depois pegarei outros. O mesmo com meus futuros filhos, mas, nesse caso, até eles encherem o saco de olhar para minha cara e se mandarem. Só que filhos são filhos, não se comparam com animais.

Já cansei de discutir com pessoas que acham animais um brinquedo descartável. No último prédio onde morei no Rio, um porteiro veio me dizer que um dos moradores abandonou uma pequena poodle na garagem, só porque deu de presente para a filha, mas foi proibida pela mãe. Quem paga o pato? A cachorra, que ficou horas chorando e ganindo na garagem imunda com fome e frio. O porteiro sabia que eu tinha cachorro e recorreu a mim como uma esperança de ajudar a bichinha. Eu não tinha condições de ficar com ela, mas não titubiei e peguei no mesmo momento. Acharia um lar para a cachorrinha, isso era fato. Enquanto isso, Carol teve que me segurar para não ir na casa do imbecil e espancá-lo até a morte.

Essa característica de humanóides involuídos é um dos motivos para não termos deixado Suflair e Trufa se acasalarem. A raça Labrador dá uns seis filhotes, no mínimo, e eu só poderia entregá-los a quem me desse plena certeza de cuidados ideais. Um monte de gente já me pediu filhotes, mas sempre com aquele papo de “vou deixar na fazenda”, “para guardar a casa”, “é bonitinho”. Esse é o pior argumento, pois o bicho deixa de ser bonitinho logo após roer o tênis. Apanha e é deixado de castigo sem sequer saber o que fez. Numa segunda oportunidade, é abandonado num hotel ou até mesmo na rua.

Eu gostaria de doar alguns animais para a polícia, mas nem todos são aptos. Também doaria com prazer para trabalharem como cães-guia, mas, novamente, precisa ser naturalmente apto para isso. E eu sentiria uma culpa enorme em ficar com vários filhotes (além de uma falência financeira de proporções americanas) enquanto vários cachorros estão nas ruas sem dono.

Já decidimos lá em casa. Os próximos cães serão vira-latas. Ou vamos adotar ou recolher. O que for melhor na hora. Meus pais sempre tiveram gatos recolhidos/adotados. Todos são saudáveis, bonitos e satisfeitos com a vida que levam. Entendo que as pessoas queiram animais de raça e desde que cuidem com afinco, acho ótimo que os tenham. Uma pessoa que gosta de animais não pode ser uma pessoa má. Uma pessoa que cuida de um animal mostra uma natureza de se preocupar com alguém, essencial para uma vida mais leve.

O que não falta é lugar para adotar um animal. Vi este blog de Curitiba que faz um serviço ótimo. Tem a Suipa, no Rio, que agradeceria muito uma ajuda. Mesmo que não queira adotar, pode doar uma graninha pequena para ração. “Ah, mas não seria melhor ajudar uma pessoa do que um bicho?”, dizem alguns. Pode até ser uma questão de opinião e a minha é categórica: NÃO.

Um animal não faz uma namorada de refém e a mata. Um animal não fica bêbado e sai atropelando crianças num ponto de ônibus. Um animal não pega um bebê de outra pessoa e fica num sinal de trânsito pedindo esmola ao invés de procurar um trabalho qualquer. Um animal não cria guerras para roubar petróleo de ninguém.

Se eu deixar de sair com meus cachorros um dia, ele continuará fiel a mim até o último momento de sua vida. Se eu não fizer um favor para uma pessoa, ela tentará arruinar minha imagem, não falará mais comigo, me xingará e jamais me ajudará futuramente. Ficará ressentida e com raiva. Meus cães continuarão meus melhores amigos.

Por favor, não entendam como se eu pedisse que ninguém mais ajudasse ninguém. Eu mesmo ajudo instituições de caridade, mas vejo de forma diferente. Ninguém é obrigado a ajudar ninguém. Só se puder. O que não aceito é abandonar, seja uma pessoa, seja um bicho. Mas a pessoa pode conseguir se virar. O bicho tem o dono como referência e se um dia for abandonado, ficará perdido e sem saber o que fazer.

O ser humano necessitado é o pior bicho. Sempre quer algo em troca e nunca está satisfeito. O animal não. Ele te dará confiança, respeito e amizade. Mas, basicamente, a diferença pode ser vista num ponto: um animal quando mata uma pessoa, pode ser para se defender ou para comer. Um homem que mata um animal, muitas vezes mata por esporte. Quem é o irracional?

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A idade e o computador

Posted by lucas dantas on Nov 11, 2008 in Uncategorized


 

É engraçada a ojeriza que os idosos costumam ter a respeito das tecnologias que, teoricamente, nasceram para nos ajudar no dia a dia. Muitos preferem encarar a fila do caixa no banco, preferencial, claro, a usar o atendimento eletrônico que pode resolver muitos problemas em questão de poucos minutos, ainda mais se for com a ajuda de um assistente qualquer desses que ficam na entrada. Seria desconfiança ou tradicionalismo?

Pode parecer injusto, uma vez que para mim é muito mais fácil me acostumar com as novidades do que a minha avó. Ainda hoje ela briga com o controle remoto e me dá esporro se eu resolvo aumentar ou diminuir o volume no controle da TV, ao invés de usar o da NET. Minha sogra então, essa é um desespero. É capaz de ficar horas assistindo o mesmo canal até que alguém pegue o controle e mude para ela. Tudo isso por medo de apertar um botão errado e parar na TV Senado sem saber voltar. Minhas avós que temem o controle remoto seriam capazes de chamar um padre se vissem um iPhone. Se elas já apanham de algo com botões, imagina um sem?!?! Falando em botões, o que fizeram dos velhos telefones de disco? O que já vi de isoso sofrendo com as teclas tão pequenas desses aparelhos….

Já disseram que nossa geração está tão acostumada com as novidades, que à medida que elas vão surgindo, nós apenas nos adaptamos. Alguns podem demorar um pouco mais, enquanto outros decifram os códigos e invadem os sistemas melhorando artefatos recém-lançados no mercado. Mesmo assim, ninguém nasceu sabendo e como nós, os nossos avós também acompanharam revoluções, diria eu, ainda mais extraordinárias. 

O citado iPhone nada mais é do que um telefone com várias melhorias. Mas é um telefone, algo que está em nossa sociedade há mais de 100 anos, desde que Antonio Meucci criou o eletrofonecado (Graham Bell veio depois e levou a fama - nada surpreendente, haja vista as iniciais deste e de Bill Gates, outro notório larápio. Seria um a reencarnação do outro?). Se em 2007 um bando de “antenados” ficou fazendo “ohhhs” e “ahhhs” num auditório diante de Steve Jobs, imagina em mil-oitocentos-e-muito-tempo-atrás quando uma pessoa conseguiu pela primeira vez falar com outra à distância??? Eu penso de deve ter sido muito mais aterrador. E a televisão? Hoje é um bem que qualquer pessoa consegue comprar. Mas quando foi criada, deve ter gerado os mais extensos debates sobre como colocaram aquelas pessoas ali dentro.

Algo que me incomoda muito é a cara de espanto de um idoso à frente de um computador. Ficam olhando como se fosse algo de outro mundo, fazem feições de desconfiança e desaprovação. Com certeza preferem a velha máquina de escrever e duvidam que Julio Verne teria sido o que foi se tivesse nascido na época da Internet. Nem me arrisco a apresentar um e-book. Minha avó gosta de saber que eu escrevo num blog, embora não saiba bem como isso funciona e jamais possa ler, uma vez que não dá para levar o computador para a mesa do café da manhã, para a rede pendurada na sala ou para a cama. Não, não mostrarei um laptop nem tentarei fazê-la entender como funciona isso. 

E não só isso. Hoje, nós queremos um carro com câmbio automático, controle de som no volante, piloto, ar-condicionado regulável para cada ocupante, rodas de liga isso e aquilo e que faça de 0 a 100 antes mesmo de colocarmos a chave na ignição. Quer dizer, sem chave seria melhor ainda. Um botão e o bicho funciona sozinho, euquanto nós ficamos apenas com a missão de impressionar a gata no bando ao lado. Porém, as ruas são as mesmas e do seu lado tem outro carro. Muitos de nós foram concebidos dentro de um, inclusive. Mas há uns 100 anos atrás, ainda havia gente que se espantava com os calhambeques que andavam a 2km/dia nas vias. Aí eu pergunto: qual a maior revolução? Uma carroça de madeira puxada por um cavalo que vira um veículo que se move apenas com a força dos nossos pés num pedal, ou uma BMW com 20 botões para as mais variadas funções, mas que na verdade são apenas uma adaptação do que já vinha sendo feito antes de diferentes maneiras?

Também não precisa andar muito na idade para encontrar exemplos e o preconceito tecnológico atinge os mais novos, porém de um lado oposto. Quando falo para amigos que meus pais possuem Orkut, muitos pensam que fui eu que criei pra eles. Quando conto que minha mãe usa MSN então, aí sim é que ficam com a cara no chão. “Como assim, sua mãe usa MSN? E baixa música também??”, “Não, isso quem faz é meu pai”, “Meu Deus, seu pai baixa música??? Em Torrent???????????”. É bem por aí. Da mesma forma que os mais velhos torcem o nariz para os computadores, os mais novos meio que não aceitam quando um velho sábio da montanha rouba o wifi do hotel lá embaixo para mandar seus ensinamentos via e-mail. 

Meus pais sempre estiveram envolvidos com computadores. Lembro que minha mãe levou para casa um Macintosh com a mesma alegria que um nerdzinho qualquer hoje sai da Apple Store com um Macbook nas mãos. A diferença era que, naquela época, uma pessoa com computador em casa era um aventureiro. O mundo ainda não estava acostumado com aquelas máquinas que tinham uma televisão de imagem verde em cima e que só transmitia códigos estranhos. Hoje, um dono de um Macbook é um cara que prefere Apple à Microsoft. Só isso. 

Mas no final das contas, eu entendo os mais velhos. Até hoje eu me pergunto porquê diabos removeram todos os botões das televisões. Se uma porcaria de pilha falha, e isso sempre acontece de madrugada quando você está sem sono ou quando está caindo um dilúvio bíblico lá fora, cadê que você consegue trocar os canais ou mexer no volume? Tem uma TV aqui em casa que é inútil, só porque não sabemos onde foi parar o maldito controle. Só por causa disso, não podemos colocar no canal 3 para sintonizar a NET já que não tem nenhuma opção na própria. Sou forçado a comprar um controle remoto universal, ou uma nova TV. Isso sem contar os 345 botões que existem em cada CR e que ninguém jamais usou. As TVs já vêm programadas de fábrica, bastando ligar e assistir. Clicar nos botões é só para dizer uma única vez “ohhhh” e “ahhhh” e depois nem lembrar que eles existem. 

Eu sou uma pessoa curiosa a respeito de tecnologias, mas me arrisco a dizer que não veremos uma grande invenção em muito tempo. Quase tudo que vemos hoje são apenas melhorias do que já existe, algumas bastante significativas, claro. Acho que o grande desafio é criar algo realmente útil, porém intuitivo, que qulaquer pessoa possa aprender a usar com poucos minutos de prática. Mas aí não teria ninguém dizendo “ohhhh” e “ahhhh” para satisfazer o ego de seu inventor e de quem compra.

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Nota triste

Posted by lucas dantas on Nov 11, 2008 in Coisas que irritam, Coisas sérias

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A história do Pintinho Perneta

Posted by lucas dantas on Nov 7, 2008 in Sem sentido

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O Guia Lucas para uma grande apresentação

Posted by lucas dantas on Nov 6, 2008 in Guias práticos, Sem sentido

To com uma incumbência de fazer “A” apresentação pros caciques aqui do trabalho. Tem que ser algo definitivo, completo, sucinto e auto-explicativo. Não posso perder tempo na frente dos caras falando sem parar. “Tem que estar tudo ali”, disse o meu chefe imediato. 

Como não tenho muito talento para fazer essas apresentações, eu fui procurando pessoas aqui no prédio que já fizeram várias. As dicas que me passaram foram tão úteis, que achei injusto guardá-las só para mim e resolvi repassar a todo mundo que queria fazer uma boa apresentação pra chefia daqui pra frente. A elas:

1. O pano de fundo - Chame a atenção logo de cara. Saia da mesmice e dispense os layouts-padrão da companhia. Use a criatividade. O Power Point já oferece uma gama de wallpapers de dar inveja às maiores galerias de arte do mundo. Você pode escolher entre um deserto árido, fogos de artifício, variações sobre a água e até uma antena parabólica gigante que se monta a cada slide novo. Faça a festa! 

2. O layout - o melhor layout de todos é aquele que contempla várias áreas num mesmo slide. Eu odeio aqueles simplistas que permitem a você colocar o texto onde quiser e tal. Se o programa já oferece tudo, por que não usar essas opções?

3. As fontes - Você tem quase uma centena de fontes disponíveis no programa padrão. Se procurar na Internet, acha de tudo. Procure saber os gostos da chefia. Por exemplo, que tipo de música o cara gosta. Vai que ele se amarra num heavy-metal? Aí tu coloca uma fonte do Iron Maiden e já ganha pontos. 

3. Os textos - É claro que você não vai usar a mesma fonte do título pros textos. Sejamos sérios. Lembre-se de quando você estava na escola e as meninas sempre conseguiam arrancar elogios dos professores por causa de suas letras redondinhas, perfeitas, bonitinhas. Os professores de ontem se tornaram os chefes de hoje. Então use a mesma regra. Uma boa dica é a AdineKinberg-Script. O tamanho? Lembre-se que o conteúdo tem que caber inteiro para você não precisar decorar nada e esquecer alguma coisa. Acho que 20 tá de bom tamanho, com perdão do trocadilho. E centralize. Aquele texto estilo torre é sensacional. Não tem quem não goste. 

4. Os recursos - Cliparts são seus melhores amigos. Use-os sempre. São engraçadinhos e a diretoria ama isso. Quem não gosta de um funcionário alegre, pra cima? E estamos no Brasil, logo, a temática futebol é sempre bem vinda. Mas quer abalar mesmo? Coloque um som logo na abertura da apresentação. Fantasma da Ópera pode ser uma boa, mas já está batida. Viva os tempos de Internet e nerdismo exacerbado e coloque o tema de Star Wars. Se conseguir ainda colocar o texto aparecendo como na introdução do filme a reunião está ganha.

5. Gráfico - Quem não gosta de números? E gráficos mostram que você estudou o problema. Mas não pegue aqueles com eixo XY. Use a pizza. E aproveite para uma piadinha se estiver próximo do almoço ou do happy-hour que você já agendou com toda a área. E daí que é segunda-feira?

6. Caneta-laser - Não seja o babaca. Caneta-laser só é legal nos olhos das pessoas. Se alguém não estiver prestando atenção, aí sim você pode mandar na cara dela. Todo mundo vai rir e o constrangimento do indivíduo lhe valerá como lição para acompanhar completamente a apresentação. Aja como um corretor mostrando um imóvel. Ande diante da apresentação, vá de um ponto ao outro e gesticule como se fosse o garoto do tempo do jornal da TV. Decore onde estão os detalhes e sem olhar, vá colocando a mão em cima. Seu domínio será completo. 

7. Erros de ortografia - Como perfeccionista que é, você ainda encontrará erros imperceptíveis aos demais e terá que corrigí-los a ponto de deixar o trabalho impecável. Não tenha medo. faça uma piadinha com a própria burrice e mexendo no notebook vá alterando os textos. Aproveite para fechar o Firefox que ficou carregando um vídeo no YouTube e acabou tomando memória do computador. Essas coisas só atrapalham. Claro que se o vídeo for engraçado, pergunte se alguém já viu e fale que é imperdível, além do que você mandará o link depois. 

8. Multimídia - Se colocar um vídeo, que o faça no volume máximo. E com mais de 10 minutos sempre. Vídeos curtos são para apresentações pequenas. E apresentações pequenas não servem para o futuro da companhia. Lembre-se que Spielberg não fez fama e fortuna fazendo curtas. 

9. Cópias - Jamais, nunca, NEVER, leve uma cópia do texto impressa para distribuir. As pessoas ficarão fazendo desenhos, brincando de jogo da velha e forca e não participarão com você da discussão. Além disso, todo o material está ali e as árvores agradecem a economia de papel. 

10. Leitura - Na hora de apresentar, leia o texto com voz pausada e bem alto. Garanta que todos estão prestando atenção. Uma boa dica, é chamar alguém pelo nome ao término de uma frase dando ênfase à pessoa. Tipo “a situação da macroeconomia tangível da Indonésia atingiu níveis de saturação endêmica, não está certo, SENHOR PRESIDENTE JUAREZ?”.  O cara vai confirmar tudo porque não deseja passar por idiota na frente dos outros e você ainda garante que ninguém perguntará nada complicado. 

11. Interrupção - Quer coisa pior do que perder o raciocínio? Se alguém pedir para perguntar alguma coisa, pare, de uma bufada de leve olhando pro alto e diga “por favor, você não pode esperar até o fim da apresentação? Anote num papel e me entregue no final”. Ou você também pode avisar antes para que as pessoas com dúvidas levantem o dedo e aguardem a vez. Os dois funcionam perfeitamente. 

Bom, essas dicas me foram passadas pelo pessoal daqui e segunda-feira eu colocarei em prática com a diretoria. Volto para contar o resultado e espero que tenham sido úteis. Se tudo der certo, eu sairei da reunião com tantos tapinhas nas costas que o pessoal do RH já estará me esperando com a cartinha do aumento. Abaixo tem um template da minha apresentação.

 

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Yes, they did it

Posted by lucas dantas on Nov 5, 2008 in Coisas sérias

Finalmente acabaram as maiores eleições da história.

Todos apoiamos Obama por ser melhor para o mundo, right? Bom, isso ninguém sabe. Como já disse uma vez, Obama conseguiu muitos votos pelo que as pessoas crêem que possa fazer, do que pelo que fez de fato em sua vida política. O vêem como um messias que guiará a América e o mundo para dias melhores. E o mundo fica feliz junto aos americanos não-racistas paz e amor. Sim, porque quem votou no “outro” ou é racista, ou belicista, ou ambos. 

Eu torci pelo Obama e espero que faça um excelente governo. O meu medo é que não consiga. Não por pessimismo, isso eu deixo pro Flamengo. Os EUA estão cheios de gente que prefere remar contra graças a interesses pe$$oai$. E o que veremos? Mais guerras? Mais recessão? Não. Veremos as mesmas pessoas que hoje elegeram o Cristo negro chamando-o de incompetente e fracassado. Veremos crescer nos EUA um sentimento de “negro incapaz” que hoje está escondido nos porões do politicamente correto. E a imagem do presidente-salvador, lá e cá, ficará para sempre arranhada. 

Não temo que Obama fracasse na política internacional, economia ou guerra. Ele não pode é matar a imagem e criar um monstro. Da mesma forma que ouço gente dizendo que sente saudades de FHC, esqueçendo de tudo de horrível que aquele governo gerou, não duvido que alguns loucos afirmarão que eram felizes e não sabiam com o governo Bush, o mais impopular no planeta desde Átila, o Huno.

Obama não é Deus, é um homem. É um mito, mas apenas um democrata como assim eram John Kerry e Al Gore, derrotados por Bush e o sistema de contagem de votos americano. Muitos alegam que ele não possui experiência política para assumir um cargo dessa magnitude, diferentemente dos dois anteriores. Porém, é negro. E um negro assumiu os EUA. Eu não vejo comentário mais racista do que esse. Quando o mundo quer unir os povos e seguindo John Lennon, imaginarmos todos como uma fraternidade, dizer “um negro venceu” é continuar a segregação. É dar margem para um ódio futuro dos irracionais.

Quebrou-se uma barreira, um muro vergonhoso de racismo que ainda existe em 2008 e existirá, infelizmente, daqui a 100 anos. Mas fez-se isso com outra forma de racismo, a velada. Muitos americanos acreditam que Obama venceu por ser negro, apenas isso. Negro, rico, culto, pai de família exemplar, mas…. negro. Bush, por pior que fosse, ganhou de dois brancos muito mais preparados do que ele. Bush venceria Obama antes do 11/9? Bush venceria Obama hoje? Obama venceria se não fosse negro?

Talvez pelo péssimo governo Bush, Obama conseguisse sair vencedor assim mesmo. Mas vamos considerar que ele bateu a Sra. Clinton nas prévias, outro símbolo da mudança que o mundo gostaria de ver. Imaginem, uma mulher no comando do país mais poderoso do mundo? Só que não permitiram. Um negro sim. Uma mulher, ainda não. É mudança demais, pensaram os americanos. Ou ela também perdeu porque Obama é negro? Afinal, os demais candidatos democratas não deram nem pro cheiro contra Hilary. 

São perguntas que demorarão a serem respondidas. Enquanto isso, Obama, que você faça um excelente governo e que no final o julgem pelas suas atitudes. E que um dia esse papo de discutir cor seja apenas para decidir como pintaremos a parede da sala. 

Parabéns pros EUA. Aprenderam com o Brasil a votar certo para presidente.

 
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Carioca fala “douze”

Posted by lucas dantas on Oct 31, 2008 in Coisas que irritam, Coisas sérias, Rio x São Paulo

A velha briga do sotaque. Desde que mudei para o Arraial que discuto com os paulistas a respeito dos vícios de cada povo. Como se pudesse discutir, tamanha a ridicularidade de expressões como “carta”, “faról”, “intãããão” e outras :-p

Lutei bravamente em todas essas disputas, mas hoje tive que dar o braço a torcer. Em viagem de trabalho ao Rio, passei dois dias com o coordenador da minha área, Mauricio, a vi bem a diferença de sotaque. É algo que você percebe melhor quando tem um paulista nato e um carioca do povo lado a lado. Mauricio é japa, um dos poucos japas que não fica grilado em ser chamado de “japa”. Até zoa os japas. E ficou puto com a quantidade de “japas” que vimos no Rio. Além de me encher o saco por causa do trânsito. Pegamos sete táxis. Em todas as viagens nós ficamos presos em engarrafamentos. Na verdade, essa viagem foi uma sucessão de cala-bocas. Mas voltando ao sotaque…

Um dos vícios que os paulistas mais apontavam eram o tal do “douze” ao invés do doze. Eu nunca havia escutado e não aceitava que falassem tamanho absurdo. Até hoje, quando recebi de um taxista a nota fiscal acima que ilustra o post. O cara, não satisfeito de falar errado, ainda escreveu à la carioca. Imagina o que não ouvi do Mauricio.

Isso é leve. O pior mesmo é o processo de “emporramento” do sotaque. Com todos os cariocas com quem conversei, sempre achei que ouviria um porra ao final da frase. As atendentes do táxi falavam “o número voucher, por favoooorrrr….(porra)”. O cara do hotel mandou “vocêis tem reserva (porra)?”. No Galento da Cobal então foi um show: “Aí, irmão, mais um chope (porra)?”. Mas o taxi de hoje foi sensacional. Não obstante o cara perguntar o tempo todo sobre celulares como se tivéssemos vestidos com roupas de técnicos, ele ainda mandava “esse fone de ouvido, porra, que eu comprei, porra, não roda no meu nokia, porra. Cêis aí que são jovem e entende de celular, um fone de ouvido da Motorola vai rodar no Nokia, (porra)?”. Notem alguns “porras” fora de parênteses.

Uma nota aqui: tava claro que aquele taxista faturou um fone bluetooth de algum cliente distraído. Ninguém em sã consciência compraria um fone caro desses de uma marca que não a do seu celular.

A cada frase que ouvíamos, eu olhava pro Mauricio que ria e dizia em silêncio “porra”, como se colocasse o ponto final da sentença. Até nas reuniões que participamos ele estava lá, implícito, escondido, mas onipresente. De vez em quando escapava, afinal, no Rio, “porra” é vírgula.

Volto para SP no sábado e já vou preparado pro choque cultural. Paulista é mais comedido mesmo. Carioca é que tem “porra” na boca.

 
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Dunga vs. Maradona - iguais e muito diferentes

Posted by lucas dantas on Oct 29, 2008 in Futebol

 

Os apressadinhos de plantão já comparam a experiência dos dois treinadores das principais seleções sul-americanas, afirmando categoricamente que tal como o Brasil, a Argentina também não ganhará nada com Maradona treinando o time. O grande hit do disco de uma faixa só é que o gordo não tem experiência como treinador para comandar o time.

Já começa errado. Embora seja pouco, Maradona já trabalhou como treinador algumas vezes em times pequenos de seu país. Lógico que não se compara a treinar ‘Argentina, mas só isso já o difere de Dunga. O grande ponto, porém, é a idéia por trás de cada escolha. 

Dunga foi chamado graças a seu passado vibrante e fiel à Seleção. Sempre foi um brigador que honrou a camisa e nunca perdeu uma oportunidade de usá-la. Um jogador à moda antiga no que diz respeito a profissionalismo e dedicação ao selecionado nacional. 

Ricardo Teixeira concluiu após o fiasco de 2006, que o que faltava ao time era essa vibração, uma forma de esconder seus erros e da comissão técnica que preferiu encobrir banhas e privilegiar recordes a convocar e botar para jogar quem de fato estava bem na época. 

Empolgado com o exemplo alemão, RT chamou Dunga e o colocou como treinador de fato, sem nunca ter sido. Jorginho seria seu auxiliar, mas sua experiência se baseava apenas em treinar o Mequinha do Rio e tentar mudar o símbolo de Diabo para águia. Fracassou com o time e com sua proposta evangélica. 

Maradona é diferente. Tal como Dunga, ele sempre serviu a seleção argentina, mas numa posição diferente. Enquanto Dunga seria o Dr Jekyll, Maradona agia como Mr. Hyde. Ambos lutavam suas guerras, mas o gordo não costumava seguir as regras, ao contrário do brasileiro que sempre primou pela boa imagem. Na hora do aperto, porém, o time procurava um jogador como o 10 argentino e não o 8 dos Pampas.  

Nessa fase de treinador, “El Pibe” será mais um estandarte do que um “prancheteiro”. Grondona pretende utilizar mais a sua imagem perante a torcida, do que sua experiência distribuindo coletes. Por isso, a escolha de Billardo para compro sua comissão técnica. Esse entende do riscado. O que a AFA deseja é que Maradona utilize sua influência para unir os dois principais jogadores do time - Messi e Riquelme - além de trazer a torcida e imprensa pro seu lado. Maradona não é facilmente questionado e estreará contra a Venezuela, em Buenos Aires, presa perfeita para qualquer início de trabalho. 

Não esperem táticas e revoluções dentro do time. Isso ficará a cargo de seus auxiliares, muito mais tarimbados do que ele. Porém, não há um jogador na equipe que ouse se levantar contra o chefe, visto que pela faixa etária, muitos foram seus fãs imitadores quando criança e escolheram a carreira graças ao que fez em campo. Messi, por exemplo, quer ser Maradona e contrariá-lo não seria a mais lúcida das opções nesse momento. 

A torcida é que será o fiel da balança. Não é totalmente verdade esse endeusamento que acreditamos que exista. Maradona é um ídolo real do país, mas não são todos os torcedores que o vêem como um Deus propriamente dito. Os do River, por exemplo, o consideram mais um demônio. 

Diferentemente de Dunga, cujo talento futebolístico, embora reconhecido, não tenha feito dele um ás do meio-campo. Kaká é muito mais jogador, tecnicamente falando. Talvez se Zico assumisse a Seleção, os jogadores pudessem encará-lo como os nossos vizinhos verão o seu comandante a partir de agora. Dunga nunca foi um ídolo técnico, como Romário no seu tempo, e representa uma época que não existe mais, de jogadores sérios e compenetrados com o trabalho. 

Hoje o tempo é dos garotos-rebeldes que se acham a oitava maravilha do mundo e não aceitam ser contrariados. É o tempo dos “Maradonas”. E só por isso, a Argentina escolheu muito bem o seu “treinador”. 

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