Não sou a Regina Duarte, mas tenho medo. Só a sensação de saber que vou voar em alguns meses já me deixa sem dormir. Começo a ler sobre turbulência, raios, cumulus nimbus, o que derruba, o que não derruba, melhores lugares para sentar…
Nunca tive nenhuma experiência traumática em avião. Jamais peguei aquelas turbulências de queda livre, nunca estive em avião que precisasse voltar ao aeroporto com problemas no trem de pouso, nem mesmo sofri com falta de coca-cola no serviço de bordo. O pior talvez tenha sido sobre Bariloche e com aquela ventania das montanhas antes de pousar numa pista que terminava num lhama bebendo água no lago Llao Llao.
Mas não adianta. Pode tremer um segundo que já agarro na cadeira, enfio o pé no assento da frente, fecho os olhos e rezo mesmo sem saber rezar. O pior que é que eu consigo passar uma porcaria de vôo inteiro pensando em todo tipo de tragédia possível e absurda. Confesso que já me peguei pensando “e se o piloto espirrar na hora da decolagem e jogar o manche pra frente?”.
Eu sou daqueles que ficam analisando as pessoas no vôo e criando textos para o óbito delas na revista. O casal eu já vejo como “eles iam curtir a lua de mel em Paris e a tragédia interrompeu o sonho”. Aquele grupo de crianças é a manchete clássica “avião com 70 crianças que iam pra Disney desaparece no oceano”. Ou pior ainda, saber que tem um padre a bordo. Vai que o cara já está conversando com Ele e acertando os últimos trâmites para a passagem final?
Sei que é bobagem. Milhares de aviões cruzam os céus todos os dias e a chance de estar num desses, desde que você não seja morador do Paquistão, Nigéria, Uzbequistão ou coisa do tipo, é mínima. Chegam a comparar com ganhar na loteria. Bom, eu nunca ganhei na loteria nem caí num avião. Será uma corrida para ver o que acontece primeiro?
O meu medo começou a surgir quando vi as famigeradas fotos dos Mamonas Assassinas. Foi ali que eu passei a saber, em detalhes, o que acontecia numa queda dessa. Mas a finha caiu, com perdão do trocadilho, quando ouvi o Milton Neves dizer no rádio “pra que eu vou escutar o que a aeromoça fala sobre como apertar o cinto ou colocar a máscara, se quando cair vai todo mundo morrer mesmo?”. Eu estava a caminho de Congonhas e até aquele momento, nunca havia pensado nisso dessa forma. Lembro até hoje que voei pálido e grudado na cadeira.
Meu avô era piloto experiente e já caiu no Golfo do México. Ficou boiando na água e vendo o avião afundar até ser resgatado. Já tive um tio que faleceu num acidente aéreo. Meu pai é rei em pegar arremetidas. Minha sogra já desceu em pista coberta de espuma por falha no trem de pouso. Ou seja, a família possui histórias.
Fui recentemente pra fora e encarei ao todo seis vôos, sendo dois debaixo de neve. Pânico em todos. Não conseguia ver filme, ler, ou vir música nem nada. A cada cinco minutos eu olhava pela janela a procura de nuvens gigantescas que fossem brincar de iô-iô com o avião. Mas tirando o pouso dramático em La Guardia, nenhum problema mais sério do que a comida servida foi apresentado. Se bem que esse pouso já paga a conta dos próximos cinquenta.
Penso em procurar ajuda profissional pra isso, mas logo vejo que não sou o único. O que conheço de gente com medo não é brincadeira. E nem sei se é o caso, já que eu sei que é o meio de transporte mais rápido, confortável e seguro. Ir pro Rio e descer na pista de boliche do Santos Dumont é muito melhor do que encarar a Dutra por seis horas vendo filme de cavalo num ônibus. Sem mencionar que normalmente precisa ocorrer uma junção de diversos fatores para provocar a queda, (muito) raramente sendo um motivo único.
Mesmo na tragédia, há um consolo: se o avião cair eu vou morrer. Não ficarei tetraplégico ou com qualquer sequela pavorosa que um acidente de ônibus ou carro poderia provocar. Que consolo…..
E ainda tem gente que vira pra mim e fala “eu adoro pegar uma turbulência dentro de um avião”.
Fazia tempo que não escrevia aqui. E pra falar a verdade, nem sei porque ainda mantenho esse espaço. Quem hoje em dia ainda continua com blog pra escrever sobre a própria vida? Agora o espaço é a privada particular para cada um colocar suas palavras finais sobre qualquer assunto, mesmo que não entenda porcaria nenhuma a respeito.
Mas encontrei uma utilidade pra esse espaço. Todo dia um monte de gente me segue no twitter. Alguns eu bloqueio logo que vejo a página. Gente que não faço idéia de quem seja, de como me conheceu e porque está ali. Mas segue.
Diz a regra (ou etiqueta) que se alguém te seguir, você deveria seguir de volta. É? Eu não faço isso. E achei de bom tom escrever um pequeno manual de coisas que todos que me seguem precisam saber. Se quiserem, claro, porque não faço questão nenhuma de ter desconhecidos atrás de mim.
1. Se você me seguir, isso não significa que seguirei você. Eu leio apenas o que me interessa. E isso pode não te incluir.
2. Não dou RT muito frequentemente. Não escrevo pensando nisso e não sou fofoqueiro de ficar espalhando o que as pessoas falam. Até hoje, usei muito pouco essa ferramenta.
3. DM são para conhecidos. Não me mande DM se não me conhece.
4. Se eu quiser saber de Big Brother, eu vou e leio em algum portal. Não quero e agradeço muito se não emporcalhar minha timeline com seus comentários sobre quem deve sair da casa.
5. Idem Fazenda.
6. Mas eu comento sobre séries que vejo. Sinta-se livre para dar unfollow quando quiser.
7. Eu viajo e mando twts das férias. Sim, afinal, a idéia básica do twitter é “what are you doing?”. Se você fica puto, tem inveja ou não aceita que pessoas de férias ficam no twitter, o botão do unfollow é serventia da casa.
8. É melhor usar o twitter em momentos fora do trabalho, aliás. Chefes agradecem. Se você usa muito no trampo, talvez deva repensar a carreira, o emprego…
9. Mande links de coisas diferentes, que valem a pena a visita. Não mande do seu último post no blog de receitas ou daquele vídeo do gordinho Star Wars.
10. Eu não sigo, não leio e passo longe dos “pensantes da Internet” brasileira. Tô me lixando pro Campus Party e nem aí pros blogs mais antenados da blogosfera nacional. Pra mim, é tudo um bando de egocêntrico paneleiro.
11. Raramente participo de joguinhos do twitter, mas quando entro em algum (vide #twitteumfilme ou #twittealgomuitoantigo) eu encho o saco com muitas mensagens. Acostume-se.
12. Sobre dar reply com RT da mensagem anterior, faço isso para que entendam do que se trata, mas nem sempre. Fica a MEU critério, não seu.
13. Eu não clico em links “fiz um teste para descobrir qual cueca usar hoje e seu vermelha! Tente você também” e já bloqueei algumas pessoas que insistiam nisso.
14. Não jogo farmville. Sei que é do Facebook, mas toda hora parece alguém dizendo que encontrou um ganso perdido e quer ajuda. O problema é seu.
15. Entendo que muita gente possua tempo livre de tarde para ver jogos europeus, mas não custa esse pessoal se tocar que outros não podem e gostaria de ver o jogo à noite. O twitter virou a versão web daquele porteiro que te falava o resultado que você tentou não descobrir o dia inteiro.
16. Por favor, não fala press-release de matérias sobre qualquer assunto. Deixa que eu vou nos sites e leio quando quiser.
17. Eu torço pela Seleção Brasileira e costumo ser bem agressivo com quem não é e fica cornetando durante os jogos. A final da Copa das Confederações provou isso.
18. Sou Flamengo e hexacampeão. Eu tolero até três vezes a brincadeira de que é penta, taça de bolinhas, 1987… Na primeira vai. Na segunda é cartão amarelo. Na terceira é block e não apareça na minha frente.
19. Adoro animais, portanto odeio vídeos deles maltratados. Mesmo aqueles que mostram um cão salvando outro numa avenida movimentada eu passo. Se assisto, fico chorando por horas sem parar. Portanto, agradeço se deixarem claro no twt o teor do vídeo.
20. Finalmente, não faço #FF, mas agradeço quem me indicou até hoje. Para saber quem eu recomendo seguir, é só olhar a minha lista. Não precisa esperar até sexta.
Posted by lucas dantas on Nov 28, 2009 in Uncategorized
Ontem eu fui, vi e admirei o AC/DC. Poderia ter sido melhor, pra mim, mas garanto que todos aqueles sem 38 graus de febre, dores no corpo e amigdalite devem ter adorado. Eu gostei demais, é o que importa. Mas o post não é sobre o show. E sim a respeito de coisas que envolvem um show desse porte.
São Paulo tem um estádio que abriga bem esses eventos. Mas a localização é pavorosa. Chegar é um parto e sair outro, de gêmeos. Lá dentro do Morumbi, tudo ótimo. Fora, pelamor…. A prefeitura, ou sejá lá quem permite (veja bem, não é quem organiza) essas festas deveria baixar uma norma decretando que sexta feira NÃO PODE TER SHOW EM SÃO PAULO! É o pior dia do pior trânsito do continente. Ainda mais para o Morumbi, onde talvez só tenhamos metrô depois do fim do mundo, em 2012. Com a chuva que caiu então, aí é que não devia ter nem bingo de igreja.
O primeiro táxi que tentei simplesmente se recusou a ir praquelas bandas. E olha que ainda chamou a corrida de “mega-sena”. Você recusaria uma mega-sena? Não, nem eu. Você entendeu essa do taxista? Não, nem eu.
Conseguimos um e foi uma árdua missão chegar. Para descobrir dezenas de cambistas vendendo os tais “ingressos esgotados”. Fiquei reparando bem e pelo que pude observar, morreram com muitas entradas nas mãos. Não adianta colocar o preço ultrapassando a camada de ozônio. Eles existem. O que precisa é de um sistema mais fácil e prático. Quer um exemplo? Essa semana mesmo eu comprei dois ingressos para um show em fevereiro nos EUA, aqui no Brasil. Na verdade, quem concluiu a compra foi um camarada meu de lá só para facilitar na entrega, mas chegaria aqui mole.
E esses preços? O Metallica anunciado a 500 reais a pista VIP. Na boa, ninguém que trabalha e tem conta para pagar banca isso sorrindo e contente. Só moleque com mamãe benevolente. Tem gente que vive o mês inteiro com menos de 500 reais e neguinho paga para ouvir duas horas de música. Na boa, não venha me chamar de recalcado, pobre ou mão de vaca (acabei de dizer que vou num show nos EUA, porra), mas é que deviam existir limites.
Sabe quanto custa o ingresso mais caro desse show logo ali na Argentina? A fortuna de 380 pesos. Antes de falar “viu só”, passe pro Real e descubra que não sai por mais de 175 reais. Sim, esse sim um valor justo para uma das maiores bandas do mundo, mas que não passa de duas horas de entretenimento no final.
Em 2002 eu paguei 200 reais por 2 ingressos do Metallica (que não veio). Me lembro de não ter pago mais do 50 em 1999. Vi Megadeth no Imperator por 30 reais, em 1994. No ano seguinte paguei R$ 55 para o mesmo Megadeth + Ozzy no antigo Metropolitan. O que explica esse aumento absurdo de preço, se a economia do país andou muito para frente, se entramos na rota de shows, se até os Stones vêm tocar aqui de graça? O show que verei em fevereiro nos EUA juntará Testament, Megadeth e Slayer. Sabe quanto paguei por 2 ingressos, com toda a conveniência? R$ 170,00. O preço do Metallica na Argentina.
E ainda vem o Coldplay por aí, com os mesmos preços do Metallica, o que prova que o único critério na hora de fixar os valores é “o povo paga, foda-se”. Tenho pra mim que cada um faz o que quiser com seu dinheiro, se tiver pra isso. Sério mesmo, dane-se e seja feliz. Mas seja ao menos coerente depois na hora de falar que os preços estão altos ou que o governo isso e aquilo. A culpa é SUA. VOCÊ banca. VOCÊ faz carteirinha de estudante em McDonalds ou rádio Jovem qualquer porra. VOCÊ.
Eu vou no Metallica (se eles vierem, né?) e pagarei preço de arquibancada porque a pista é gigante e eu sou o oposto do gigante. Mas pista VIP? Nem para show privê da Sylvia Saint com a Jenna Jameson.
Posted by lucas dantas on Oct 27, 2009 in Uncategorized
Sempre disse que poderia que eu só poderia morrer após ver os seguintes shows: Metallica, Slayer, Megadeth e AC/DC. Os três primeiros eu já vi. Falta um e poucos dias me separam da realização.
Na primeira vez que os australianos vieram ao país eu mal sabia dizer “ei-ci-di-ci”e provavelmente era menor do que a Gibson de Angus Young. Na segunda, em 1996, dei o famoso migué, bateu a preguiça de sair do Rio e fiquei em casa. Amigo, o arrependimento bateu e foi forte. Pelo menos agora terei a chance de pagar.
Mesmo que o show seja em estádio e com pista plana. Já estou me preparando para ver a nuca das pessoas e apenas ouvir o som, mas tá valendo assim mesmo.
Pra mim o AC/DC sempre foi uma banda daquele tipo “todo mundo gosta”, como Ramones. Por mais que sempre apareça um para dizer que “não tem virtuosismo” ou “é tudo igual”, são os dois grupos que melhor mostraram que para fazer rock bom basta ser simples.
Basta ver a música Jailbreak acima. Uma variação do mesmo riff e um clássico eterno do rock. Não usam maquiagens, bocas gigantes ou milhões de efeitos especiais para esconder o som. O máximo de extravagância que a banda se permite é o uniforme escolar que Angus veste desde os primórdios.
De resto, lá estão Malcom Young (o segundo melhor guitarrista-base do rock, atrás apenas de Scott Ian, do Anthrax), e Cliff Williams em pé, estáticos à frente dos amplis, e Phill Rudd tocando a clássica-básica bateria, abrindo espaço para o caminhoneiro Brian Johnson berra suas voz rouca enquanto Angus corre pelo palco como se o tempo não tivesse passado para ele.
Tempo… Não sou nenhum veterano do rock mas acho incrível como muita molecada curte AC/DC, mesmo com sons tão diferentes rolando no mercado hoje. O mesmo não ocorre com os Stones, por exemplo.
(Não adianta tentar me convencer. Setenta por cento daquele público do show da praia era carioca curtindo um evento e tentando pegar mulher).
O próprio setlist que a banda vem tocando por aí já mostra uma preocupação em mesclar sons para o público velho e o mais novo da geração MTV.
Rock ‘N Roll Train
Hell Ain’t a Bad Place to Be
Back in Black
Big Jack
Dirty Deeds Done Dirt Cheap
Shot Down in Flames
Thunderstruck
Black Ice
The Jack
Hells Bells
Shoot to Thrill
War Machine
Dog Eat Dog
Anything Goes
You Shook Me All Night Long
T.N.T.
Whole Lotta Rosie
Let There Be Rock
Highway to Hell
For Those About to Rock (We Salute You)
Sentiu falta de Jailbreak? É, tu também, mas a minha preferida Hells Bells está lá. Whole Lotta Rosie e Highway To Hell idem. Falando nisso, um pouco de Rock in Rio de 1985.
Vale lembrar também que os ingleses não emplacam uma música digna do seu nome faz tempo… O AC/DC, por sua vez, mesmo sem lançar sucessos retumbantes, jogou nas lojas belos trabalhos e o último, Black Ice, já está na lista dos preferidos dos fãs. Pode falar que são todos iguais, mas AC/DC não pode mesmo ser diferente. Senão estraga.
A gente vai envelhecendo e com as contas muitas outras mazelas chegam ao nosso cotidiano. Uma delas, e da qual não há Mega-sena que evite, é a partida dos parentes mais velhos. Você vai vendo o tempo passar e percebe que o pessoal não é mais o mesmo. A vida é cruel e vai levar outra pessoa, cedo ou tarde.
Estou com mais um membro familiar nessa situação agora e fico apreensivo, aguardando de longe como isso vai terminar.
RETOMANDO O TEXTO
Impressionante. Na hora que eu estava escrevendo esse texto, na terça-feira passada, recebi uma ligação de minha mãe dizendo que minha tinha havia falecido. E por isso parei. Hoje retomo, com outro teor.
Com a morte da minha tia, percebi que o tempo realmente passa e não dá mais para tratar algumas coisas como se fossem imutáveis. Já cheguei aos 31 e ainda não aumentei a família. Na verdade, nenhum neto o fez. Meu irmão e primos ainda estão postergando, mas é verdade que eu sou o único casado e há bastante tempo.
Isso me faz pensar se não perdi tempo, se não deveria já ter dado cabo disso. Mas logo me vem à cabeça a idéia de que por alguns anos eu trocarei todo o meu divertimento pela tarefa de cuidar de um mini-mim. Egoísmo? Talvez, mas afinal tenho ou não o direito de pensar em mim?
Estamos eu e Carol planejando mais uma viagem pro ano que vem e depois chega, mas basta o São Paulo, ou qualquer time que ela esteja acompanhando ganhar a Libertadores, que tudo precisa ser adiado mais uma vez.
Por outro lado, quer aventura ou presente melhor do que botar uma criança no mundo? Nunca fiz (ou não me falaram), mas vejo meus amigos que são pais e está na cara que nenhum se arrependeu, muito pelo contrário. Não são poucos que já falam em ter mais um.
E ter cães não é a mesma coisa. Nem de longe.
O evento recente me fez pensar bastante. Acho que 2010 será mesmo um ano diferenciado.
Sexta-feira nós saberemos onde ligar a TV no inverno de 2016 (se o mundo não acabar antes, em 2012, como dizem alguns). Em Copenhagen, a bela capital da Dinamarca, os velhos do COI decidirão entre a inovação ou o conservadorismo. Entre uma novidade ou o mais do mesmo que provou-se eficiente ao longo dos anos.
Se o Rio de Janeiro for eleito, uma porção dos falados tabus será colocada abaixo e as Olimpíadas acontecerão abaixo do Trópico de Capricórnio pela segunda vez na história. Caso contrário, o mundo civilizado terá mais uma vez os Jogos Olímpicos e nós veremos pela televisão, dividindo o tempo entre o trabalho, o sono e o recalque do “pô, queria estar lá”.
Mas será que bom trazer uma Olimpíada para cá? Por que as xingam tanto um projeto desses, quando da Copa todos, ou grande maioria, são a favor? Será que é porque acontecerá em uma única cidade, ao ponto que o Copa é do país todo (ou de quem pagou mais por isso).
São questões subjetivas e aí vai da opinião de cada um. Tem quem diga que o Rio não pode receber porque é violento, que precisa de mais investimentos em outras áreas, que o Brasil tem mais com o que se preocupar, ou até mesmo porque é o Rio e pronto. “Não pode ser lá porque eu não gosto da cidade”. Sei que são poucos que pensam assim (espero eu), mas esses trouxas existem, paciência.
Eu sou carioca e gostaria de ver os jogos na cidade, mas não por serem no Rio, e sim por acontecerem no Brasil. Imagino quantas pessoas passarão suas vidas amando o esporte, mas sem condições de vê-los perto de si. Imagina você ir a um estádio e assistir aos saltos de Yelena Isinbayeva, ou estar lá quando Phelps destruir marca por marca nas piscinas. Que tal ver uma autêntica aula de basquete com o Dream Team de Michael Jordan e Magic Johnson? Essas coisas não acontecerão em 2016, mas teremos outros candidatos a Phelps, Isinbayeva e Jordan, ou até revelações onde jamais imaginaríamos.
Particularmente penso que Curitiba ou Porto Alegre mereceriam mais receber esses jogos, pois estão mais alinhadas com o pensamento do COI de ajudar a promover e crescer cidades. E também para sair do eixo Rio-SP que tanto atrasa esse país. Só que escolheram o Rio do Nuzman e assim será.
É pensamento comum que ao invés da escolha de uma sede, nós estamos vendo na verdade o nascimento de um Banco do Esporte onde muita gente vai fazer saques diários até 2016 do nosso dinheiro sem fazer nada. Aqui em São Paulo então, eu ouço isso demais. O que é contraditório, pois uma cidade que por anos elegeu o Maluf e agora ama o tal do Serra, não pode falar muito de gente que não faz, ou pode? Mas… E SE fizer?
O Rio precisa de hospitais. E SE as Olimpíadas ajudarem a melhorar os hospitais?
O Rio precisa de segurança. E SE as Olimpíadas ajudarem a deixar a cidade mais segura?
O Rio precisa de transporte público. E SE as Olimpíadas ajudarem a melhorar o sistema carioca?
O Rio precisa de um melhor aeroporto. E SE as Olimpíadas ajudarem nessa construção?
O Rio precisa de praças esportivas. E SE as Olimpíadas ajudarem na criação desses espaços?
Não sei se vai acontecer e são muitos “e se” no meio. Além do medo do uso do dinheiro público exagerado. Olha, tirando Atlanta-96 que a Coca Cola bancou, isso é assim no mundo todo. Lógico que podemos argumentar que em grandes cidades européias e americanas há mais dinheiro e os hospitais já estão prontos. Sim, é verdade, mas se for essa a única maneira de conseguir as tais melhorias, porque não tentar? E SE der certo? Aliás, se a única condição para conseguir realizar essas melhoras for levar os jogos para o Rio, por favor, que o façam logo. A cidade precisa do desenvolvimento.
Claro que muita gente já sacramenta que não dará certo. Só esquecem que o Brasil tem histórico de conseguir realizar eventos importantes quando quer. Desde shows como o Rock in Rio, que mudou a forma dos grandes festivais mundo afora, até uma Copa em 1950 que gerou o maior estádio de futebol do planeta, não me lembro de vexames brasileiros. O Pan teve problemas, o dinheiro rolou solto e tudo foi mais caro do que o planejado. Mas as instalações construídas foram de primeiro mundo. Resta saber aproveitar depois.
Por fim, todos os argumentos são importantes, quando não providos do bairrismo ou recalque exacerbado e é mesmo uma situação muito complicada. Moradores de Chicago não estão muito afim de ver os jogos por lá. Existem cariocas que não querem por causa da conta a ser paga. Com certeza temos japoneses e espanhóis no mesmo barco.
Eu que não sou adepto desse complexo de vira-latas de achar que o Brasil é pior do que todos os outros países, quero mais é que Olimpíadas, Copa e o que mais for seja realizado aqui. No Brasil, no país que eu vivo. Quanto mais, melhor. Nossa auto-estima sobe, viramos o centro do mundo, todos falam do país, nossa imagem melhora, tem tudo isso.
Roubalheira, atravessamentos, politicagem, me desculpem os puritanos, mas isso acontece até nos estaduais. Basta ao povo fiscalizar, ficar em cima mesmo ao invés de escrever suas raivas em blogs e twitters. Mas se for esperar que todos sejam honestos, é melhor destruir a Terra e começar de novo. Se bem que 2012 está logo ali.
Posted by lucas dantas on Sep 2, 2009 in Uncategorized
ESSE TEXTO CONTÉM SPOILERS DO CD. SE NÃO QUISER SABER NADA ANTES DO LANÇAMENTO, NÃO LEIA.
Pronto. Quinze dias antes do lançamento, o cd inteiro do Megadeth vazou na web. Já era esperando, porque um DJ inglês se fez de esperto e tocou algumas músicas em seu programa de rádio. Daí para cair o cd todo na web era um passo. Legal é que americanos chamam o Brasil de paraíso da pirataria, quando quem vazou as músicas foi um inglês e o cd inteiro foi disponibilizado num site russo. Bom….
Apesar de ter baixado o cd (mas já comprei em pre-order), eu fico pensando no que poderia ser feito para evitar ou postergar ao máximo esse tipo de coisa. Talvez se voltassem aos tempos do vinil, sei lá. Não é todo mundo que tem um LP conectado ao computador, é? Ou então que lançassem primeiro digitalmente e as pessoas comprassem os wmas antes, por um preço diferente, menor, e o cd inteiro só após. É lógico que não evitaria a pirataria, pois uma busca simples no Google mostra como quebrar um DRM, mas, estando as músicas apenas no servidor e não num cd físico extraviável, acho que diminuiria a janela de vazamento, ou tô enganado?
Enfim, o cd saiu e será que Mustaine conseguiu finalmente atingir o seu objetivo? O Megadeth é, hoje, melhor do que o Metallica? Isso é papo de quem quer comparar as bandas. Eu não. Amo as duas e sou feliz por existirem. Porém, ao lado da letra de One, a melhor coisa que James Hetfield fez na vida foi botar Dave Mustaine num ônibus em NY de volta para São Franciso. Ali, involuntariamente ele criou um monstro que quase 30 anos depois lançaria uma obra-prima em tempos de criatividade em baixa. E ficamos com duas bandas magistrais.
Mas afinal, seria o Megadeth hoje melhor do Metallica? Isso é relativo demais, vai do gosto de cada um e eu não quero entrar nessa questão pessoal ou discutir a relação “vende mais, logo é melhor”. Além de ser uma idiotice completa essa briga. É lógico que farão as comparações musicais, de atitude, vendas, cabelos e o que mais for… Eu me afasto disso, porém faço só um comentário.
Diferente do Metallica, o Megadeth foi se recriando em torno das idéias se seu fundador. Endgame começou lá no The World Needs a Hero. Mustaine foi mexendo nas músicas, nos discos lançados, nos membros do grupo, produção, shows e tudo mais que envolvia Megadeth até encontrar o ponto máximo que conseguiria chegar no álbum.
O Metallica não. Com a criatividade nitidamente reduzida, precisaram da ajuda de Rick Rubin para fazer o ótimo Death Magnetic. Ótimo mesmo, espetacular, mas ainda é Metallica + Rubin. Um grande álbum de uma banda que precisava disso, mas que não foi criado aos poucos. Não há nada de Load, Reload ou St. Anger nele. DM simplesmente veio. Como se fosse uma sequência do Black Album. Tanto é verdade que dispensaram Bob Rock em busca de algo diferente e são poucas as músicas dos três discos anteriores que eles tocam ao vivo. O próprio Metallica sabe que esses albuns não “são bem” o Metallica que os fãs amam. Já o Endgame é a conclusão de uma reformulação geral da criatividade e da pessoa Dave Mustaine ao longo dos últimos 10 anos. Ele mostrou isso nos quatro lançamentos antes de Endgame.
Por favor, não tomem isso como argumento de que um é melhor do que o outro, mas apenas um ponto real. Aconteceu, mas não diminui nem aumenta ninguém (é lógico que os mais xiitas não verão dessa forma, fazer o que?).
No Endgame, você encontra influências do The World Needs a Hero, The System Has Failed, United Abominations e até do Risk, além do puro Megadeth oitentista. Acordes, riffs, raiva e letras irônicas ou quem fazem pensar. Tem tudo ali. É, como disse o próprio Megaman, o cd da vida de Dave Mustaine.
O disco abre com a instrumental Dialectic Chaos, uma porrada de 2 minutos e pouco que mistura solos rapidíssimos em cima de uma base concisa e muito pesada. Os dois bumbos de Shawn Drover não param e eu desafio qualquer pessoa a ouvir essa música parado. Você já sente na primeira faixa como será o resto do cd no que compete aos solos.
Ela emenda em This Day We Fight, a tal música inspirada em Senhor dos Anéis. Aqui você já vê um pouco de Blackmail The Universe no riff principal (quem toca a música saca logo isso), mas acelerado à quinta potência. O vocal nervoso e rasgado aumenta ainda mais a força dessa música que se transforma numa brutalidade com o riff que antecede o solo. Thrash metal na sua essência!
Em seguida vem 44 minutes que trás algo que eu sentia muita falta no Megadeth: aqueles refrões onde a guitarra canta com a voz de tão melódicas que são suas linhas. Algo que Mustaine faz com perfeição e já vimos em Architeture of Aggression, Addicted To Chaos, Train Of Consequences e a icônica Symphony of Destruction. A primeira vez que eu ouvi o refrão pensei se tratar de uma homenagem de Dave aos bombeiros e policiais mortos no 11/9, mas não é. Os solos dessa música são daqueles de fazer chorar. Mesmo. Sério.
1,320 já rodou o mundo e os elogios são unânimes. Tem a velocida clássica do Megadeth com aqueles riffs abertos em Lá típicos do So Far, So Good… So What?, só que numa versão mais moderna e com uma cozinha mais pesada no fundo. O duelo de solos no final é desde já um dos momentos mais aguardados dos shows. É obrigação do Megadeth tocar essa ao vivo!
A seguinte é Bite the Hand. Aí já vemos um pouco do UA com mescla dos anos 80. Novamente, Mustaine pegou o passado e o deixou mais moderno, sem que soasse nem um pouco datado. Riffs com influência antiga, mas com uma batida contemporânea. É muito técnica e mais uma que vai pra lista das “como esse filho da mãe toca e canta ao mesmo tempo esses riffs?”. O cara foi eleito recentemente o melhor guitarrista de metal do mundo. Explica-se, né?
Você gostou do Countdown to Extinction? Então vai adorar Bodies Left Behind. Mustaine trouxe aquele disco, pegou emprestado parte do riff no refrão de Disconect do The World.. e criou uma maravilha. A linha de guitarras no meio da música é para todos os fãs de heavy metal, sem exceção. Lembra até Mercufyl Fate, de quem Mustaine recentemente disse ser muito fã da música, não tanto das letras.
Em Endgame, a faixa-título, o Megadeth volta a mandar suas letras apocalipticas para dar nome ao cd. Como tradição, é uma música complexa, com passagens diferentes e com a letra mais forte. Começa como uma montanha russa: sobe lentamente e entra num spin de riffs e solos enquanto Mustaine vai berrando o fim do mundo em cima. Não tenho palavras para definir a base final. Simples, mas dá um ritmo espetacular. Genial. Na opinião desse escriba, a melhor do cd.
Lembra que eu disse que tem coisa até do Risk? Pois é. The Hardest Part of Letting Go é a “representante”. Quer dizer que é ruim? Não, em absoluto, muitíssimo pelo contrário, até porque o Risk é um excelente álbum! Confesso que não sou fã da voz de Mustaine em baladas (menos, claro, em A Tout Le Monde – a original – onde ele arrebenta), mas a guitarra que entra na sequência com os violinos em cima vai satisfazer desde os fãs de Megadeth aos de Sonata Arctica. Uma belíssima música, mas será que tocarão ela ao vivo?
Now let the thrash begin! A essa altura até quem odeia Megadeth já ouviu Headcrusher e disse “que porrada maravilhosa!”. Já se disse tudo o que poderia ser dito a respeito dessa música.
Aí acaba o massacre anterior e você se pergunta se ainda cabe mais alguma coisa boa. Cabe sim, mas não é o caso de How The Story Ends. Porque essa é muito além de boa. É ótima, espetacular mesmo. Aposto que será single e clipe em breve. O refrão é pegajoso e eu imagino arenas cantando junto com a banda. Há muito tempo que o Megadeth não fazia um refrão para ser cantado aos berros pelo público como esse. Novamente senti um pouco do United Abominations nessa faixa, com algumas semelhanças com Never Walk Alone. Um tapa na cara de quem duvidava que Mustaine ainda conseguiria fazer riffs pesados e diretos.
Tá, chega. O cd não pode ter mais uma faixa boa. Todos disco hoje em dia precisa ter uma fraca, não? Bom, vai catar outro cd então. Amigo, que refrão é esse? A primeira parte é puro Megadeth da década de 90, lá do Countdown com uma conclusão pesada no estilo System Has Failed. Fico imaginando cabeças batendo no compasso da cozinha nessa hora. E tal como Burnt Ice do United Abominations, termina numa porrada com solos de guitarra e fecha o cd de forma primorosa.
Endgame é o melhor cd de 2009? Não sei e isso vai do gosto de muitas pessoas. É o melhor do Megadeth? Isso também vai do gosto, mas o que acho ser unânime, sem ser burrice, é que Dave Mustaine realmente fez seu álbum definitivo. Mas sem esse papo besta de “volta às raízes” e blá blá blá. Para aqueles saudosistas que ficam esperando um novo Rust In Peace e acham que tudo o que veio depois é ruim ou vendido, “this is the end of the line. This is the Endgame”. Nota 10.
Esse é o valor a ser pago hoje por aqueles que quiserem ser músicos profissionais ou de diversão, como eu. Com essa quantia, você literalmente compra uma carteirinha de músico da OMB e terá apenas que arcar com uma anuidade de R$100 para se manter no clube. Isso mesmo, CLUBE DOS MÚSICOS.
Ontem, no Blackmore, houve uma reunião com dois representantes da tal Ordem dos Músicos do Brasil, dois adEvogados e um bando de “músicos” que toca os mais variados covers e sons próprios. Na pauta estava uma lei que agora obriga qualquer pessoa que deseje formar uma banda a tirar essa carteirinha com a qual será assinada uma Nota Contratual do evento. Sem isso não toca. As casas serão fiscalizadas e multadas toda vez que um músico não habilitado subir ao palco.
E os carinhas da OMB disseram “estamos tentando sair da idade da pedra”. Quer retrocesso maior do que esse?
Para quem não sabe, além da Ordem existe um sindicato de músicos que age de forma independente e também possui lá sua taxa anual. Ambos não se falam, porém o discurso é o mesmo: defender o músico desamparado. O mais engraçado é que sempre abordam os lados mais fracos na questão. Contra a pirataria, ao invés de ir nas gravadoras e exigir uma queda nos preços, correm atrás do consumidor. E no caso das bandas, obrigam pessoas que querem apenas e tão somente se divertir a pagar uma taxa anual sob pena de multa e remoção sumária do palco.
Desculpe, mas tem algo terrivelmente errado aí, mas é preciso voltar no tempo um pouco.
O OMB foi criada em 1960, por JK, quase gêmea à OAB criada no mesmo ano. O primeiro presidente foi acusado de ser comunista e deposto. No seu lugar, em 1964, entrou Wilson Sândoli. Sabe quando esse cara saiu? Em 2006, por acúmulo de cargos. Não tinha como dar certo. Por anos e anos a OMB foi considerada arcaica e ditatorial. Consagrados artistas como Gilberto Gil e Chico Buarque já se colcoaram diversas vezes contra sua existência. O discurso era basicamente o mesmo: pagava-se por uma carteirinha que não servia de nada.
Como tudo no Brasil, as pessoas foram esquecendo e deixando de lado essa obrigatoriedade. Para vocês verem, eu mesmo nunca me preocupei com isso, já que não vivo da música, não recebo cachê, não sou formado, não dou aulas, não componho e amanhã mesmo posso largar esse mundo. Confesso que até pouco tempo achava que essa carteirinha era coisa apenas de músico formado, como um CREA ou CRM.
Além disso, a legalidade dessa carteira já foi discutida e aqui em São Paulo passou a Lei Estadual 12.547/07 que desobriga os músicos a aparesentarem a carteira em espetáculos no estado. Segundo a OMB, não é bem assim. Você não precisa apresentar, ok, mas tê-la permanece obrigatório e o músico tem que dar o número quando solicitado. O que não faz sentido algum. É como se eu estivesse dirigindo sem habilitação e fosse parado por um policial. Bastaria apenas eu dar o número provando que estou habilitado? Para a polícia não. Para a OMB que precisa da grana que vem do esforço de uma das classes mais largadas do país, ao lado dos professores, sim.
Há quem diga inclusive que a OMB é inconstitucional por natureza, já que sua lei de criação não foi contemplada na Constituição de 1988. Além disso, ela não pode impor limites e restrições ao exercício artístico. Mas para a OMB, seja uma canja ou um show, só pode tocar se estiver filiado (ou seja, pagando a anuidade).
A Lei Estadual 12.547/07, por sua vez, encontra fundamento constitucional. De acordo com o artigo 5º, IX, da Constituição, “É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. Essa tese foi acolhida pelos juízes em vários estados do Brasil que determinaram a suspensão da carteira, como também ocorreu no Rio Grande do Sul.
Nenhum músico questiona a legitimidade da Ordem. Porém, todos, com a exceção óbvia do Sândoli, a consideram ultrapassada e com métodos que não ajudam em nada. São comuns os protestos pedindo sua extinção ou completa reformulação. Por que então não mudar?
Foi o que ontem, no Blackmore, os dois representantes falaram que iria acontecer. Disseram que os anos de escuridão acabaram e a OMB agora seria uma organização dos músicos para os músicos. E sua primeira medida? Obrigar a classe a possuir uma carteirinha…….. Ahhh, mas eles facilitaram. Prometeram que os testes serão organizados de forma a ajudar todo mundo, afinal, vai ser uma avalanche de cabeludo na sede para prestar o tal vestibular e pagar a taxa. Aliás, você sabe como é o teste? Vou reproduzir aqui um texto publicado na edição 185 da revista Carta Capital. É surreal.
Para atuar como cantor ou instrumentista, seja numa casa de shows como o Credicard Music Hall, seja num barzinho da Vila Madalena, o músico precisa possuir uma das carteiras da OMB, de músico prático ou músico profissional, e estar em dia com as anuidades. A única diferença entre as carteiras é o tipo de exame. Para adquirir a primeira, um professor avalia as habilidades do músico em seu instrumento. Já para a segunda é preciso conhecer também teoria e solfejo.
O repórter de CartaCapital, mesmo sem nunca ter tido uma única aula de piano na vida, submeteu-se ao teste no instrumento e foi aprovado. O exame, realizado na escola de música Keyboard, em Jundiaí (SP), foi aplicado pelo próprio delegado regional da OMB, Marcelo Dantas Fagundes.
Na noite anterior ao teste, o repórter pediu a um músico que lhe ensinasse os dois acordes (lá menor e sol) da canção Pra Não Dizer que Não Falei de Flores, de Geraldo Vandré, um dos hinos da MPB contra o regime militar. Antes mesmo de interpretá-la, o jornalista já podia ser considerado um músico.
Depois de pagar uma taxa de R$ 260, em dinheiro, e fornecer todos os documentos necessários para a inscrição (quatro fotos 3×4, CPF, RG, carteira de reservista e comprovante de residência), Fagundes emitiu um recibo com carimbo da OMB contendo o nº 24.321, que permitia ao repórter atuar profissionalmente como pianista.
Só depois o exame foi feito, e não durou nem cinco minutos. “Toque alguma coisa”, pediu o examinador. No piano oferecido, com notas desafinadas e teclas travadas, o repórter atacou os únicos dois acordes que conhecia. Pouco depois, o desastre musical foi interrompido pelo delegado regional da OMB com um “já está bom”.
- Você sabe ler partitura?
- Não.
- Seria interessante você aprender.
O exame foi realizado no dia 29 de janeiro. Dois meses depois, a carteira foi entregue.
Imagina se fosse assim para ser médico? E depois falam do diploma de jornalista…
Segundo um dos representantes na reunião de ontem, o número de músicos não registrados está em torno de 50 mil só em São Paulo. Como chegaram a esse número eu não sei. Mas essas 50 mil pessoas pagando os R$ 198,00 geram uma esmola de R$ 9.900.000,00!!!!! Isso mesmo, mais de NOVE MILHÕES DE REAIS. Para que???? Vejamos as promessas de campanha:
1) Prometem estabelecer um piso para apresentações – mas o próprio Blackmore não tem como pagar esse piso, que é alto, e se virar regra vai faltar casa de shows. Além disso, o próprio “OMBdista” falou que a tal Nota Contratual poderia vir com valor zero. Ué?!? Mas que raios de piso é esse que fica a critério de casa/músico?
2) Irão defender o músico que não receber o pagamento combinado na Nota Contratual – mas em seguida disseram que o prejudicado deve recorrer ao Sindicato (e pagar taxa) para que eles entrem com uma ação em sua defesa.
3) Prometem que o dinheiro arrecadado será usado para aposentadoria do músico – mas o próprio Sandoli se retirou com proventos de adEvogado e quem entra na música com 30 anos, como eu, não tem nenhum tipo de plano ou segurança de que receberá mais à frente.
4) Fiscalizar as casas que deverão oferecer as condições ideais para os músicos e pagar as taxas devidas – mas podem chegar em QUALQUER dono de casa aqui em SP e perguntar se já não teve que pagar propina para que fosse deixado em paz.
5) Querem separar arte de profissão deixando músicos de ocasião de um lado e aqueles que vivem disso de outro – mas colocam tudo no mesmo saco e começam a dar facadas para beber o sangue que cai
Um show de contradições. A OMB disse que mudou (ou mudará) mas quer o pagamento das taxas antes de apresentar provas de que o dinheiro será mesmo aplicado em prol dos artistas. Pior que isso, utiliza a obrigatoriedade e as punições de uma lei antiga e rígida demais para o mundo de hoje.
Em tempo, eu não tenho problemas em pagar a carteira, até em respeito aos músicos de verdade do Brasil. Como também não me sinto bem cobrando cachê para tocar música dos outros. Os direitos autorais dessas faixas jamais vão para as bandas que as escreveram. Mas é aquilo: seu eu pago, quero ver resultados. Quero ver a classe dos músicos realmente atendida e respeitada. E ainda sugeriria que ao invés de aplicar um teste fajuto e uma farta distribuição de carteiras para qualquer moleque que compre uma guitarra, poderiam transformar isso num imposto que as casas pagariam (como fazem com o ECAD) e repassar a um fundo do músico brasileiro.
Assim, aqueles que comprovam viver da música através de diploma ou anos de serviço documentados podem usufruir do dinheiro quando, e se, resolverem encerrar suas atividades. Se bem que músico brasileiro mesmo só para morto. Pois se parar antes morre de fome.
Claro que você viu a opção a), porém pergunto se você vê essa opção nas ruas quando está dirigindo.
Eu acredito que a educação de um povo começa nas pequenas coisas. Do tipo não buzinar na frente de hospital, não deixar o celular ligado no cinema, ceder o lugar para idosos, gestantes e deficientes e parar na faixa de pedestres, entre outras ações. Mas no Brasil isso não existe.
A faixa de pedestre deixou de ser uma sinalização e se transformou em adereço há muito tempo. Andando por São Paulo, eu fico estarrecido em ver como ela é ignorada por motoristas que entram em ruas pequenas em alta velocidade e ainda por cima com o celular numa das mãos (mas isso é outro detalhe).
É comum observar pessoas atravessando em sua área de direito terem que acelerar os passos para evitar uma simbiose com o asfalto. E não apenas nas avenidas grandes, mas em qualquer rua que lá esteja a faixa. Mesmo tendo razão e com grandes possibilidades de uma vitória na justiça em caso de processo.
Uma advogada daqui da empresa certa vez me disse “atravessa mesmo, porque se você for atropelado, vai ganhar a causa”. Ou seja, ela queria era me transformar em cliente, mesmo que eu estivesse morto só porque quis fazer valer meu direito. Seria o correto, porém, infelizmente reza a lei do mais forte no trânsito e eu não sou o Hulk. Um carro vai me esmagar.
E quando estou do outro lado? Não melhora em nada.
Eu costumo respeitar sim as faixas. Claro que não em grandes avenidas onde os sinais de trânsito fazem o serviço, mas em ruas menores onde está a demarcação da passagem dos pedestres. E tome buzina nas costas. É o pessoal desesperado para ir não sei aonde que não quer nem saber de esperar e gasta todo o seu arsenal de xingamentos e barulhos para cima de mim.
O mais engraçado, ou trágico, nessa história é a sensação de poder que o volante dá. Você já passou por isso, com certeza.
Sendo pedestre – você vai atravessar uma rua e para imediatamente. Mesmo na faixa. O motorista vindo diminui e acena com a mão permitindo que você siga. Isso mesmo, ele deixa você usar a rua antes.
Sendo motorista – você está entrando numa rua e vê que o pedestre parou com um pé no asfalto e cara de assustado. A vida dele está em suas mãos. Num ato de benevolência enorme, você faz um gesto e aceita que aquele ser menor atravesse o seu caminho, mas observa-o como se fosse um gato preto em sexta-feira 13. Que seja rápido, pois o carro não pode esperar. Ele tem sede de andar e passar por cima de quem se opor.
Faço agora uma comparação com um pessoal um pouco mais educado.
Quando estive em NY, vi que os andarilhos simplesmente pisavam na rua ignorando quem viesse. Claro, de novo saliento que isso não acontecia numa 5th Avenue, mas em ruas transversais. Eu demorei a me acostumar e olhava para os motorizados esperando sem fazer uma única reclamação, buzina ou sequer ronco de motor.
Em Paris, eu entrei numa rua – pisando na faixa – onde estava vindo um carro e parei. O motorista, percebendo que eu não era de lá e com sua paciência francesa, colocou o braço para fora gesticulando e disse algo que entendi como “pode ir, pois aqui tem lei, seu gordo subsedenvolvido”.
São pequenos detalhes diários que mostram como é o respeito entre os povos. Somos todos humanos, mas mil quinhentos e nove anos fazem uma diferença brutal. Só que não precisa ser europeu ou norte-americano. Argentinos também respeitam o trânsito, pelo que pude observar quando estive lá, e estão aqui do nosso lado.
Finalmente descobri para que serve o Twitter. Além de me fazer esquecer que existe blog, funciona como um amplificador de pensamentos como jamais visto no mundo. Sempre pensei em como os povos no planeta estariam reagindo às notícias mais importantes, mas acabávamos reféns da TV. No 11/9, a Internet sofreu sua primeira grande “baleiada” e muitos portais caíram. Aparentemente aprenderam a lição. Mas aí morreu Michael Jackson e a baleia (não a Free Willy) voltou.
Surante todo o dia 25/06 mensagens, piadas e links para notícias choviam no Twitter e pela primeira vez um único assunto dominou todos os trends do serviço. Não havia quem falasse de outro assunto. Lógico e compreensível. Mas criou-se agora uma expectativa de como será o próximo. Eu prefiro pensar como teria sido em outros acontecimentos históricos.
Titanic
@umcaraaí Transatlântico de luxo manda sinal de SOS no Atlântico.
@outrocaraaí Parece que o Titanic bateu num iceberg e está afundando.
@rose_dawson Estamos no Titanic e não tem barcos para todo mundo. A banda ainda toca e eu não sei nadar. #comofaz?
@jack Consegui um ticket pra esse barco num jogo de cartas, mu juntei com uma rica e agora to afundando no mar gelado. VDM
@Cal_Hockley (in reply to) @jack HAHAHAHAHAHAHAHAHA
@touristguy Consegui escapar do Titanic, mas uma galera vai morrer. http://is.gd/1ePe2
O Titanic seria como o Air France: chocante no início, mas depois cairia no esquecimento. O que não aconteceria no dia 06 de agosto de 1945.
@aquelecarala Explodiu uma bomba sinistra em Tóquio. Os americanos mandaram uma bomba randômica.
@outrocara Não foi em Tóquio, mas em Hiroshima. http://is.gd/1ePR0 Clarão absurdo no céu.
@h_chavez Bomba atômica no Japão. Americanos apelaram!!!
@manifestanteshippies Japão não se rende. Bora Japão. #foraUSA
@mr_manson Agora, o que tem de hot roll em Hiroshima não é sacanagem. Churrasco de sushi.
O Twitter sempre começa com notícias sérias, mas com o tempo as piadas (muitas de péssimo gosto) vão chegando e dominam o espaço. Vira um tal retwittar as mensagens que você nunca sabe onde vão parar suas mensagens. E quem não fica todo orgulhoso em ver um RT na frente do seu nome mesmo quando mandou uma mensagem bem vagabunda?
Alguns acontecimentos talvez fossem capazes de acabar com o tráfego online, se existisse o twitter e afins na época. A morte de John Lennon, por exemplo, eu aposto que travaria até site pornô. E quem não estivesse em NY poderia ver todas aquelas pessoas em frente ao Dakota cantando All We Need Is Love através de streamings live e fotos que pipocariam na rede a cada segundo. E, claro, as famigeradas mensagens.
@denovoocara Morre Lennon.
@ooutrocara Mataram o Lennon!!! E o &%$# do Ringo continua vivo. #megafail
@piadista_sem_graca All We Need Is Love, and some bulletprof jacket
O twitter ainda será experimentado em diversos casos. Absolutamente tudo o que acontecer no mundo terá uma reverberação no site. As empresas já se tocaram disso. É uma forma de divulgar trabalhos e serviços muito mais barata do que pagar rios de dinheiro por campanhas meia-boca de agências egocêntricas.
Mas o melhor mesmo é que o twitter funciona como uma extensão de nossos pensamentos. Como se tivéssemos uma máquina do doutor Hans Chucrutz ligada a nossa cabeça permanentemente e transmitindo tudo o que pensamos para o resto do mundo, em tempo real. Rapidamente mudamos de opinião e mostramos todos os tipos de sentimentos à medida que as informações vão chegando. Posso dar como exemplo uma hipotética twittada num dia triste para o Brasil.
A raiva – Porra, Senna. Bateu de novo?
A preocupação – Senna bateu forte. Mas vi pela TV que ele fez um sinal positivo com a cabeça. Vai sair dessa.
A indignação – #forçaSenna deviam parar a corrida.
A tristeza – meu deus…o senna morreu. LUTO.
A piada – sabe qual foi a última curva que o Senna fez? Não, a Tamburello ele não fez.
Fantático que sou pelo futebol, fico imaginando o gol mil do Pelé sendo twittado mundo afora.
No Rio - @carioca_no_maraca Penalti pro Santos! Agora sai o 1000 ou um zagueiro do Bahia vai atrapalhar de novo?
Em São Paulo – @bixiga Gooooool mil! Mas por que raios o negão escolheu fazer no Rio???
Em Buenos Aires – @torcedordoBoca Pelé? El macaquito? Me gusta más Di Stéfano.
Nos EUA – @EUA What is soccer? Where is Brazil?
E o 11 setembro….
World Trade Center pegando fogo.
Você viu? Acabou de entrar um avião no WTC!!!
A internet tá baleiando muito. Não consigo entrar em nenhum site!!
A queda do Hindenburg, o incêndio no Joelma, o fim do muro de Berlim, o tsunami na Ásia… Muito se passou e o twitter não viu. Mas em breve ele será usado como o principal meio de informação das pessoas. Os textos longos estão ficando para trás. Eu mesmo mal escrevo aqui. É muito mais fácil e rápido fazê-lo em 140 caracteres.